Primeiro mês da Pluma

Na última semana de dezembro, algumas surpresas vieram à tona. Além de solucionar um problema pessoal, em uma manhã de sábado, meu pai me acordou às pressas. Tudo porque havia um gato filhote no corredor do prédio. Corremos para fazer algo, mas assustada como estava, e rosnando direto, ficamos limitados. Eis que ela entra na nossa casa e se torna parte da família. Hoje, ela se chama Pluma.

Pluma, pouco depois da sua chegada e de ter revelado a sua verdadeira face de destruidora de jornais

Agora, ela acaba de completar o primeiro mês conosco. E foi um mês de enorme aprendizado. Sempre tive gatos na minha casa, entretanto, nunca coloquei a mão na massa. Era o meu pai quem fazia de tudo um pouco, desde a compra da ração até a troca da terra. Enquanto isso, eu só me preocupava com uma coisa: esmagar e apertar o gato, como a Felícia. A parte divertida – agora, é diferente.

Ainda assim, de novo, o meu pai teve uma participação importante nessa história, mesmo sendo eu quem se moveu para adotá-la. Foi ele quem a resgatou, quando estava indo jogar o lixo fora, e se deparou com ela no corredor, que o seguiu até a porta. Porém, também foi ele quem a pegou no colo, quem viu se estava tudo bem, e até por isso percebemos algumas coisas horripilantes, como os sinais de que foi maltratada, com o rabo quebrado e calcificado da maneira errada. E a parte mais curiosa: ela não tinha uma pulga sequer, tampouco estranhava a caixinha e ração, além de outros indícios de que, possivelmente, ela vivia em um apartamento. Somando o tamanho dela com a altura do andar onde moro, passamos a crer no mais provável do possível: ela havia sido abandonada.

Porém, isto se tornou passado, e agora ela é uma gatinha ainda mais saudável e extremamente bagunceira. Demorou cerca de três dias, mas ela saiu debaixo da cama enquanto tocava o show do Caetano e Gil. E da maneira mais gato possível: deitando no meu teclado. Mas o curioso foi quando estava com o ar ligado, no máximo, e ela optou por deitar justamente em cima do meu Mac mini, quente que nem não sei o que, porque eu estava editando vídeos – “Conheça o iBed for Cats. It’s magic and revolutionary!”. E foi assim que a nossa amizade começou.

Hoje, ela está mais grandinha e já corre pela casa que nem uma doida. E sempre faz isso depois de pegar a minha pilha de matérias de jornais que guardo, e mordido tudo. A outra gata, a Florzinha, ainda não aceitou a sua presença, e sempre rola alguns atritos, mas ela não está nem aí. Pelo contrário. Vira e mexe, a Florzinha está rosnando, enquanto ela está rolando pelo chão, sem dar um pingo de atenção. Chega a ser engraçado, porque mesmo quando quase rola briga, não acontece nada. É uma debochada, mesmo.

“Para de subir nessa mesa” e a resposta: “Duvido”

Além disso, há outros contos divertidos, como o fato de que basta eu me sentar na mesa para trabalhar, que ela vem correndo, feito doida, se deitando perto do teclado – e por isso, a gente se desentende, às vezes. De qualquer maneira, todo ser humano deveria ter um gato deitado na sua mesa de trabalho, especialmente nas suas vidas. Pois não se trata de “lambeijos” enquanto pensa “de onde esse cliente tirou isso?” e sim de uma relação recíproca de amor que não é mensurável. E isso é uma preciosidade que ainda tem muitos anos para durar. Graças a Deus.