2017

Geralmente, não opto por escrever retrospectivas. Os motivos são inúmeros, entre eles, o fato de que, acredito, a análise melhor fica para mim ou ao diário. Entretanto, 2017 foi um ano com muitas mudanças, surpresas e desafios. Se tem uma palavra que colocaria em voga seria “dificuldade”, mas é injusto, porque “superação” está na mesma sentença. Escolho um dos primeiros poemas que li no ano, ainda em 4 de janeiro, de Jorge Salomão, cujo trecho merece ser destacado:

tenho por princípios

nunca fechar portas

mas como mantê-las abertas

o tempo todo

se em certos dias o vento

quer derrubar tudo?

O poema está publicado no livro “Alguns poemas e alguns”, estreado nas retas finais de 2016 – evento, no qual, compareci –, e se chama “buraco negro”. Com certeza, estas linhas são conhecidas, afinal, Adriana Calcanhotto transformou-nas em música em um dos melhores álbuns dela, “A Fábrica do Poema”.

Elegi este trecho como primordial para a estrada que cruzei ao longo de 2017. Devo dizer que não foi fácil; mais por enfrentar o meu maior inimigo: eu mesmo. Foi um período de descoberta pessoal e até de quebra de preconceitos que eu sequer reconhecia a existência – infelizmente, outros ficaram para o ano que vem. Além disso tudo, lidei com patologias que o corpo humano ainda não é capaz de descartar com o estalar dos dedos. Mas, se não cheguei lá, pelo menos comecei.

Como todo ano que passa, erguemos partes de uma pessoa nova. Da minha filosofia pessoal, há de se imaginar que a cada virada no calendário, se inicia outra era se abre a esta encarnação. Entretanto, não se pode duvidar que, vez ou outra, entre duas primaveras, se não nos apresentamos como Aquiles, temos a força de Hércules para lutar. O ideal, nesse caso, seria o meio termo.

Talvez 2017 possa ser dividido em dois, até mesmo pela entonação dos tons aclamados por ele. O divisor de águas aconteceu em agosto. De lá pra cá, parece que não apenas o jeito em que eu levava este ano, mas, também, a vida e tudo em conjunto, mudou. Quando dei por mim, as coisas não eram as mesmas. E, claro, jamais serão.

Isto não quer dizer que foi um ano ruim, pelo contrário. Se em 2015 e 2016 eu questionava a falta de mudanças, 2017 trouxe isso. Além dos amigos e a família, que foram importantíssimos para ficar de pé, encarei novos desafios. Desde abril, de estagiário, virei editor, e a minha vida profissional começou a deslanchar. Com isto, observo que os meus desejos foram atendidos.

Por isso que, diferente dos anos anteriores, optei até por me contradizer nesse texto e não escolher palavra, texto ou poema algum que sirva de síntese para 2017. Apenas deixo o mistério no ar, igual a 2018, que mal começou e já tem desafios a serem enfrentados, com conquistas que eu nem sei mesmo quais são. Por isso, fico por aqui e me preparo para 2018. Afinal de contas, ninguém sabe o que tem para mim.

Um feliz natal para todos!

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