O poder da lembrança

Relembrar da infância em alguns lugares conhecidos é uma dádiva que a vida pode nos dar. Sobretudo, quando estamos no introspectivo. Caminhar pelas ruas é o sinônimo de despertar memórias que não deveria trafegar em vias normais. Isto é, sempre que se está atento a algo, você compartilha o espaço com o adicional. Se não fosse assim, estaríamos, com certeza, perdidos.

Me lembrei desse pensamento que, com cerca de 16 anos, bolei enquanto estava em uma parte do BarraShopping, cuja saída mais próxima era sempre onde os meus pais estacionavam o carro. Já faz muito tempo, por sinal. Se naquele dia me lembrei de quando eu era pequeno e chegava lá de madrugada passando mal, pois o meu médico era lá, hoje, quando olho para aquele espaço aberto, me vem outras lembranças. Devo dizer, sempre há algo a mais.

Talvez deva existir algo no nosso cérebro que sempre permite mais entradas. Na verdade, eu separo as funções de tal maneira: se as memórias são uma espécie de armazenamento transcendental, o cérebro é o computador que processa tudo. Me vem a ideia de que há um arquivo, um banco de dados – espero que em MariaDB – potente, extremamente ilimitado. Cada lembrança tem sua própria tabela, e, ao invés de apagar o que tinha, vai acumulando.

É aí que fico na dúvida se dou voz à Kant ou Hegel, ou se passo a acreditar nos dois ao mesmo tempo. É que, em verdade, há uma admiração maior aos racionalistas se comparado aos empiristas. Só que há outro ponto de fuga: embora haja o conhecimento a priori, precisamente constamos com o além. Nascemos já com muitas coisas predestinadas, sobretudo, caráter e vontades. E, claro, traçamos o nosso destino antes mesmo de nascermos, podendo alterá-lo conforme a vida manda.

Há algum problema nisso? Possivelmente, não. Talvez seja uma loucura da minha cabeça, na verdade. Entretanto, como explicar diversas razões que a própria ciência não sabe? Eu sei, eu sei. Chico Xavier nos alertou: se a própria crença do espiritismo viajar demais, que haja valor à ciência. Só que ela não explica isso, ainda. Talvez porque nem todo empirismo e nem todo juízo de fato esteja à altura.

Volto para o shopping e à história do banco de dados infinito. Mais porque é um tanto complicado: não se trata apenas das madrugadas insones de uma criança doente que representa aquele lugar. É a lembrança mais antiga que me vêm à cabeça, e o mais curioso dessa história toda é que é a mais branda. Há piores, e até mesmo outras que, de lembrar, bate um amargor. Como estamos na internet, óbvio que não darei mais detalhes.

Segue da seguinte maneira: somos feitos de detalhes que vão se acumulando com o passar do tempo e batendo um pouco com a dialética hegeliana. Entretanto, se limitar a isso, é compreender que o universo é curto e finito. A explicação vai muito além e ainda não temos a capacidade de entender. Por isso, permaneço em silêncio, nos meus pensamentos.

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