Nova década

Publicado em 26 de maio de 2020, às 19:49 | Sem categoria

Me lembro do começo de 2010. Nas primeiras horas do ano que chegava, eu e alguns amigos brincávamos: “agora falta dois anos para o fim do mundo”. Mas era apenas reinação. Sabíamos que longos doze meses viriam pela frente, e que muita coisa podia mudar. Com ou sem 2012.

Sensação diferente, porém, aconteceu na virada de 2019 e 2020. Seria o meu primeiro ano como jornalista, formado, e com diploma. Do interior do Rio, vislumbrava o que seria o agora. Primeiro, em relação ao trabalho, pois as metas na startup onde eu trabalhava eram ambiciosas. Depois, em relação aos estudos, pois havia apenas um foco: fazer o processo seletivo do mestrado. Por fim, na vida pessoal, já que tudo prometia um sucesso estrondoso.

Precisei de apenas três meses para retornar ao teor das brincadeiras de 2010. Afinal, quem diria, estaríamos confinados. Da mesma forma, quem diria, todo nosso know-how de vivência estaria em xeque, repentinamente. Pois fomos obrigados a deixar aquele mundo que sempre vivemos do lado de fora de casa. Sem nem ter espaço para pensar, construímos novos estilos e ritmos de vida. Deu-se espaço a um novo modus operandi. E, até agora, ninguém sabe o que acontece.

Nessas horas, retorno a 2010 e faço uma comparação breve. Pois, se naquele ano eu e meus amigos esperávamos “o fim”, neste, “o início” era a aposta número um. Estávamos todos na mesma condição: em março, colaríamos grau. Mas, ao contrário, ficamos confinados em uma realidade obscura, sem nem saber o que pode acontecer amanhã.

Mesmo assim, espero bons frutos para a nova década. Justamente devido a um exercício interno que, de pouco a pouco, implemento na vida: gratidão. Entretanto, isto não é motivo para negar os problemas que já existem e os novos que virão.

É tempo de grandes desafios.

Rio de Janeiro, 25 de maio de 2020

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