Mil

Publicado em 20 de maio de 2020, às 18:05 | Dia a dia

Mil mortes em 24 horas. Em março, achava isso improvável. A imaginação, com base nas poucas informações da época, era de que tudo acabaria em maio. E com menos de 5.000 mortes – até metade disso. Era uma visão quase surreal, porém, otimista. Afinal, quem diria que chegaríamos a tanto?

Agora, já falamos de mil mortes. Em somente 24 horas. O número acumulado chega a quase vinte mil. E alguns fatos, que dávamos por resolvidos, ganham vida novamente. É só observar a trilha da doença no Brasil: acreditávamos que o primeiro caso no país aconteceu somente entre o fim de fevereiro e começo de março. Que nada, vem de antes. O que torna tudo ainda mais complexo.

A essa altura, deveríamos acender o sinal vermelho. Mas sequer estamos no amarelo: enquanto os números crescem vertiginosamente, o Governo Federal dá piruetas em uma corda bamba para se salvar de si mesmo. Enquanto o país mais precisa de auxilio do poder público, ele gera crises desnecessárias. Inclusive, demitindo a autoridade máxima de saúde do país. Duas vezes.

Outras trapalhadas também ocupam a atenção do país, que deveria estar centrada no vírus. A demissão de um dos principais ministros do governo deu mais força ao holofote às crises anteriores. De repente, o noticiário, que era só coronavírus, dividiu espaço com as intrigas do clã presidencial. O ó!

O cenário é de tristeza, desespero e desrespeito. O primeiro, devido às vidas perdidas. O segundo, pela incerteza. O terceiro, pelas atitudes do Presidente da República, seus aliados, e, principalmente, seus apoiadores.

Em março, esperava que, a essa altura, estaríamos saindo de casa. Aguardava, da mesma forma, um amadurecimento das entidades governamentais a fim de tratar a doença com seriedade, para erradica-la o quanto antes. Pelo contrário, vemos somente um horizonte sombrio. Com a morte nos acompanhando.

Rio de Janeiro, 20 de maio de 2020

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