Diário da quarentena: dia 9

Publicado em 25 de março de 2020, às 11:30 | Dia a dia

Desconexão. Essa é a palavra que resume os últimos dias. É também o que explica esses dias sem atualizações.

Muito havia o que fazer, e esse é o motivo para a desconexão. Desde quinta-feira, exploro um mundo com menos notificações. Passei a observar um mundo que não depende somente de bits e bytes. Busquei o meu eu real.

É uma busca por um momento de paz. Afinal, a ansiedade batia na porta. Todos os dias. Cada “bipe” era uma tragada no ar – e sem cigarro. Quando o relógio vibrava no meu pulso, era quase uma arritmia cardíaca. Isso sem contar quando alguma newsletter chegava, com um cenário catastrófico.

Optei por me desconectar. E de uma forma simples: explorando o que há por fora da internet. Além dos livros, que já estavam na rotina, me empenhei mais no alemão. Comecei a arrumar a casa. E os exercícios, que eu não fazia desde a semana anterior, retornaram às manhãs.

Esta reflexão me leva à Sylvia Moretzsohn, que explorou toda essa ânsia pelo tempo real. Também a Marshall, que fala sobre o jornalismo cor-de-rosa. Por fim, à Briggs e Burke, que observam a “financeirização” dos jornais é uma realidade há mais de um século – infelizmente, não me lembro qual.

Todo esse conjunto me propõe algumas perguntas, senão hipóteses: 1) Estamos fazendo jornalismo pelo jornalismo?; 2) Estamos em dia com nosso dever social, como “cães de guarda”, ou “espetacularizamos” o cotidiano, bem a la Debord?; e 3) O jornalismo em tempo real é saudável?

Ainda não encontrei tempo para explorá-las. De toda forma, sigo o guia de saúde mental das Organizações das Nações Unidas (ONU) e deixo a dica para vocês: desliguem as notificações!

Observação: escrevi este texto antes do pronunciamento do nosso digníssimo presidente nesta terça-feira (24). Essas considerações não são para criticar a imprensa, e sim para questionar o nosso trabalho academicamente e profissionalmente a fim de buscar um trabalho melhor e com mais qualidade. Afinal, toda discussão é válida e necessária, e envolve toda e qualquer profissão.

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